Bem antes demais quero deixar uma breve introdução/explicação do porquê deste blog. Não é minha intenção gabar ou difamar seja quem for com as histórias da minha vida, mas sim recordar, gravar e partilhar todas as aventuras que vivi e acreditem que foram tantas que até se torna difícil recordar-me de todas. Desde já quero salientar que todas as histórias são reais e claro todas têm mais do que uma versão eu apenas conto a minha. As histórias vão ser contadas sem qualquer ordem cronológica simplesmente por factos que se passam no dia a dia e me vão fazendo recordar momentos passados. vou usar alcunhas para não ferir ninguém, portanto se te trato por uma alcunha usada nos meus textos é muito provável que esteja a falar de ti e por isso não leves a mal.
Se sentires algum tipo de sentimento com o que leres fica desde já à vontade para deixar a tua marca. No mínimo uma vez por semana haverá uma história nova. não deixes de espreitar !!! ;-)
Bjs e abraços do Preto

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

caminho português de Santiago parte 2

Olá, olá :) cá estou eu para vos matar a curiosidade lol Voltando a relembrar, estava na primeira noite do caminho português de santiago no Albergue de Rates. No Albergue, para além de nós, estava um casal espanhol que fazia o caminho de bicicleta (que não voltamos a encontrar), estava um alemão muito mal-encarado que já dormia e ressonava bastante lol, estava a Arnete da Dinamarca e o Popesco, a Magda, a Oana e a Estela da Roménia. E é com este último pessoal que me surpreendi bastante. Enquanto relaxava na rua e fumava o meu cigarro, os meus pensamentos traiam a minha firmeza em fazer o caminho: “Será que consigo?” ; “Tenho dores horríveis, não será melhor desistir?” ; “Como regresso a casa?”… Postei no face sobre o que aconteceu ao longo do dia, como tinha prometido aos meus amigos, mas nem cabeça tive para ver qual tinha sido a reação do pessoal. A minha única vontade era adormecer para que as dores passassem. Com tanto azar até o meu saco de primeiros socorros tinha desaparecido, devo tê-lo perdido pelo caminho. NADA mas mesmo NADA batia certo e cada vez mais me mentalizava que era o fim do meu caminho. Até que a Arnete veio cravar-me um cigarro e acabamos por trocar meia dúzia de palavras em inglês. Como eu andava descalço, foi fácil ela perceber que não estava bem. Ela e o pessoal da Roménia ficaram à minha volta a dar palpites até que a Oana pegou-me na mão e arrastou-me para a camarata dela. Deu-me pomadas, uma agulha, linha e betadine e começou a ajudar-me a cuidar dos pés. Ficarei eternamente grato!!!! Uma pessoa que não me conhece de lado nenhum e que mal trocou 2 palavras comigo a ajudar-me do nada e sem pedir nada em troca. Simplesmente fantástica!! Passamos o resto da noite na cozinha todos juntos porque a Magda fazia anos. Então estávamos na amena cavaqueira a beber um bom vinho tinto e foi aí que chegamos à conclusão que seria a primeira e a última noite juntos. Eu e o Américo iríamos até Tamel (15km depois de Barcelos), a Arnete iria até Barcelos sozinha e a malta da Roménia seguiria pelo caminho da costa. Contudo foi uma noite muito divertida e que me fez esquecer as dores. O segundo dia começa e problemas logo de manhã: apesar das bolhas mal me doerem não estava melhor da entorse e por isso tive de ligar o pé para tentar aguentar o máximo possível. Ao pequeno-almoço fui publicar a foto do pé ligado no facebook e reparei numa falange de comentários e likes à minha foto da noite anterior. Amigos, conhecidos e até estranhos estavam todos a dar-me força e ânimo para seguir em frente. Não os podia deixar mal e então pus a mochila às costas e fizemo-nos à estrada, destino Barcelos para almoçar. À entrada de Barcelinhos (povoação antes de Barcelos) recebi uma chamada do meu pai, que estava preocupado. Ele estava a tentar ajudar-me a superar esta jornada e chegamos a uma conclusão: para desistir tinha de ser em Barcelos porque senão só no final do dia seguinte é que estaria numa povoação que tivesse transporte para regressar. Por estas palavras já dá para ver que o caso estava cada vez pior. Sem certezas de nada, o meu pai termina a conversa com estas sábias palavas: “Filho, peregrinação também é sofrer”. E foi com essas palavras na cabeça que cheguei a Barcelos. Nada melhor para almoçar que uma sombra e a relva do jardim central de Barcelos. lol Durante hora e meia de paz e de pés bem levantados tentei recuperar forças. Até que chegou o momento: - Amigo Mário começa a ficar tarde e ainda temos 15km pela frente, tens de tomar uma decisão. - Disse o incansável Américo. - Vou me calçar, tomar um café e já vejo como estou. E aqui vem o primeiro “milagre” do caminho. Levanto-me com muito cuidado e começo a andar, o Américo preocupado faz aquela cara do “fala homem” e eu desato a correr e a saltar. Não tinha uma única dor!!! Sim, eu sei, é estranho e não, não sei explicar o que aconteceu!!! looooooool Aproveitamos uma feira que havia no centro de Barcelos para eu comprar uma sapatilhas novas e fizemo-nos à estrada. Segunda surpresa do dia: à saída de Barcelos encontramos os nossos amigos da Roménia que tinham decidido seguir o nosso conselho e fazer o caminho central.Caminhamos juntos os 15km que faltavam e ao chegar ao Albergue, eis que temos outra surpresa: a Arnete também tinha decidido vir ao nosso encontro. lol Gang toda reunida e nada melhor que ir jantar fora no único restaurante da povoação, que só fazia pizzas. looolDe regresso ao Albergue, a Oana voltou a cuidar dos meus pés e acabamos a noite todos juntos a partilhar um portátil que o Albergue tinha para os peregrinos. O terceiro dia e o segundo, e mais estranho, “milagre” vai ter de ficar para a próxima historinha :-P Não deixes de cuscar pois vai valer a pena :) Ate breve meus amigos e seguidores Beijos/abraços do preto.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

caminho português de Santiago parte 1

Olá amigos e seguidores Pois é, estou de volta depois de vários meses de jejum e peço-vos desculpa por isso. Nada melhor para recomeçar as minhas histórias do que vos contar a minha última grande aventura… Tudo começou em maio do ano passado. Como estava desempregado há já algum tempo, começava a ser difícil arranjar o que fazer para passar o tempo. Dividia todo o meu tempo livre entre o facebook, o ver filmes e, claro, a mágica briosa. Foi então que vi um filme chamado “The Way”, que recomendo vivamente, onde é relatado um drama familiar que culmina com o patrono da família a fazer o Caminho de Santiago de Compostela. É um filme muito interessante e que me meteu o bichinho de cumprir esse sonho da minha adolescência. Fiquei mesmo decidido e então resolvi iniciar a minha preparação física, logística e, claro, informativa para poder fazer o Caminho. A vontade era tanta que a 20 de junho já estava a apanhar o comboio para o Porto para iniciar a minha jornada no dia seguinte. De início falei com alguns amigos aventureiros para os desafiar a fazerem comigo o Caminho mas não tive sorte e resolvi postar no site “Caminho Português de Santiago” uma mensagem com informações sobre a data da minha viagem e o meu email para o caso de aparecerem interessados em fazer a viagem comigo. Quando já tudo indicava que ia fazer esta caminhada de 250km em 10 dias sozinho, recebi 2 emails: um do Sr. Américo (Gaia, 53 anos) e o outro da Cláudia (Lisboa, 27anos). O Sr. Américo iniciaria o caminho comigo no dia 21 e a Cláudia iria ao nosso encontro a Ponte de Lima, no fim do dia 23. Com tudo combinado, a mochila pronta, os mapas do Caminho e muita vontade, lá iniciei a minha jornada. Viajei para o Porto no dia 20 e pernoitei em casa da Pimpolha, no dia 21 pelas 8 da manhã dirigi-me à Sé do Porto onde iria ver pela primeira vez o Capitão América (Sr. Américo :) ). A ideia de ter companhia nesta jornada pareceu- me boa mas o facto de ser uma pessoa desconhecida preocupava-me um pouco. Não por sentir perigo ou algo assim mas mais porque poderíamos ter ritmos de andamento diferentes ou a diferença de idades ser uma barreira ou até mesmo haver um silêncio que se poderia tornar constrangedor. Mas pouco depois de começarmos a andar vi logo que não podia ter tido melhor escolha: o Capitão América era simplesmente genial, humilde, com um coração enorme e, claro, divertido. Ainda não tínhamos saído do Porto quando trocámos as primeiras palavras com 3 peregrinas alemãs, mãe e duas filhas, que nos “perseguiram” até Matosinhos mas que acabaram por ficar para trás e que não voltámos a ver. Tudo corria sobre rodas, muita animação, boas pausas para descansar, ajustar mapas trocando ideias e até uma sombra fresquinha para o primeiro almoço do Caminho. Tudo correu bem até aos últimos 7km do 1º dia. Uma estrada em alcatrão (raro ao longo do Caminho em Portugal) com as típicas valetas enormes e um carro a passar muito perto de nós fez com que me desequilibrasse e acabasse por fazer uma entorse no pé esquerdo. Pensei que não seria isso que me iria impedir de realizar o meu sonho e continuei. E como devem imaginar esses últimos 7km foram de puro sofrimento. Quando chegámos ao Albergue de Rates e com 35km feitos, as dores eram horríveis, não só no pé esquerdo devido à entorse mas também no pé direito por ter tentado não sobrecarregar o pé esquerdo acabei com imensas bolhas. Depois de um bom banho, de um bom jantar num restaurante perto do albergue e sentado à fresca da noite a fumar o meu cigarrinho comecei a duvidar bastante sobre se iria conseguir continuar. Foi então que vi que o Caminho não me iria deixar desistir… Mas isso fica para a parte 2 desta história!! Eheheheheh Curiosos? Então aguardem… ;) Até breve Beijos/ Abraços do Preto